Não sei se sou hipocondríaca, mas nas últimas três semanas vivi um grande tormento físico/mental. Cheguei a pensar em me internar por uns dias, tentar dormir sem ter que acordar pra ver se meu olho não havia caído e se meu braço estava mexendo normalmente.
Depois de vários dias sofrendo em silencio, resolvi ir até uma emergência. Diagnóstico inicial: labirintite. Sintomas? Visão turva ( como se tivesse um telefone no vibracall tocando cada vez que tento focar num objeto; sinfonia de cigarras me acompanham desde novembro – achei que todo mundo estava ouvindo…até que uma noite…), tontura, dor de cabeça,mãos e pés adormecidos, barulho no ouvido ao engolir a saliva, etc. “Laberintite gera ansiedade ou ansiedade gera laberintite?”
Dia E
Na emergência “Recomendo a ida a um neurologista.” Ok. Vou morrer, é certo que ou eu tenho um aneurisma que ainda não estourou ou tenho um tumor no cérebro. Evidente. Tenho um tumor benigno na mama. É obvio que o tumor subiu pelo meu braço e foi lá pra cabeça. C e r t o . Pra melhorar, acordo vários dias com o coração palpitando, como se meu peito fosse o recuo da bateria da Sapucaí. Coisa linda de ouvir….se for FORA do seu corpinho.
Dia W
Tentativa frustrada de sair pra caminhar. No meio do caminho tive um ataque, tive um ataque no meio do caminho. Pego um taxi. Vou até a emergência da Santa Casa porque é OBVIO que eu vou ter um ataque cardíaco (o aplicativo que baixei pra medir a frequência cardíaca aponta 128bpm…). Chego à emergência chorando. Me mandam embora porque só recebem pacientes com perigo de morte. Como assim? Você não ESTA VEND O que eu vou ter um ataque cardíaco? Começo a chorar desesperadamente. A enfermeira me esnoba e, sorrateiramente, passa a maldita cor azul em cima do meu nome. Azul numa emergência quer dizer que você pode ficar tipo, umas 4 horas sentada esperando, você só é uma angustiazinha da silva querendo atenção. É mais ou menos assim que me senti… Mas era obvio que eu ia ter um ataque, e depois ter que caminhar com o pé arrastando. Morrer não passa pela cabeça, mas sofrer sim.
Uma amiga me salva, me leva pra outra emergência. Macaca velha no assunto crise nervosa, pede que me atendam com urgência. Diazepam na veia. Sorrisos e calma.
Dia N
Dia de visita a um neurologista estranho. Pede ressonância magnética para descartar esclerose múltipla, doença comum em mulheres jovens ( god, como não pensei nisso!) .
Dia M
Busco outro neurologista. Desta vez acerto. Bonachão e divertido começa a rir na minha cara quando falo que posso ter um tumor auricular. “Não posso dizer que não, mas acho muito difícil. Você já pensou em buscar um psiquiatra?”
No mesmo dia vou a uma psiquiatra. Consigo conversar sobre tudo o que penso. Tenho consciência de que sou hipocondríaca, mas não posso descartar as coisas físicas que ando sentido. Remedinho suave para abafar o caso na minha mente até que todos os estudos sejam realizados.
A ressonância é daqui a pouco. Já tomei um calmante porque ressonância não é legal depois dos 25 anos, quando você já NÃO curte musica eletrônica e ainda mais para alguém que NUNCA curtiu musica eletrônica. Quem já fez RM sabe do que eu estou falando. Quem já cheirou lança perfume nos anos 80 também.
Mas o que isso tem a ver com o Corra Lola Corra?
Angélica atualmente vive um período de stress. Possivelmente uma grave crise de angustia. “Impossível racionalizar, por mais QI que se tenha” , diz a psiquiatra. A noticia para o blog, é que devo ter emagrecido uns 2 ou 3 kg. A fome sumiu. Obrigado crise.
Vamos torcer pra que tudo seja uma invenção de minha cabeça, desencadeada pelo fato de ter sido picada por um barbeiro no carnaval. Doença de Chagas. Aquela coisa: Coração com infarto agudo do miocárdio, “mas só daqui a 10 ou 20 anos pode aparecer” , disse a especialista da secretaria de saúde do Estado. A única coisa que consigo pensar pra levar esta tempestade numa boa é : “Porra, não posso morrer gorda! “




